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Fonte: Dom Eurico dos Santos Veloso + Ver Mais Artigo do Autor


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Sexto domingo da páscoa - 19/05/2017 - 0:00

Quem sabe que é amado evangeliza. Foi essa a experiência da comunidade helenista, cujos líderes eram Estêvão e Felipe(vamos conferir a primeira leitura At 5,8,14-17).


Felipe não era apóstolo. Era um diácono. Havia sido escolhido pelos apóstolos para servir às mesas, para atender as viúvas dos imigrantes helenistas da comunidade de Jerusalém. Esse homem aparece como o segundo dos diáconos, depois de Estêvão. Mas os que pareciam ter sido escolhidos unicamente para questões administrativas e serviços de amor dentro da comunidade convertem-se logo em grandes proclamadores da fé.


A juventude imigrante da comunidade de Jerusalém manifesta carismas insólitos. Estêvão falava como um anjo. Tinha uma inquietante compreensão do Antigo Testamento que deixava todos sem palavra e explicava a figura de Jesus como quase ninguém. Tornou-se tão perigoso para as autoridades judaicas que estas decidiram sacrificá-lo, como haviam feito a Jesus: por isso, o primeiro mártir da comunidade cristã foi – por assim dizer – um não judeu. Também o grupo helenista da comunidade de Jerusalém parecia perigoso. Por isso o grupo foi perseguido. Expulsaram-no de Jerusalém. Felipe ficou então como líder do grupo.


Em sua fuga forçada de Jerusalém, Felipe aproveitava a oportunidade para pregar. Quem tinha como missão principal atender às necessidades materiais da comunidade transformou-se também em um pregador único que fascinava os samaritanos e os atraía irresistivelmente para a fé. Não lhe era fácil porque havia um mago que seduzia todo mundo. Mas em Felipe estava o Espírito de Deus, de Jesus, que vencia todos os espíritos imundos.


Foi tal o êxito e o número dos que abraçaram a fé, que as autoridades cristãs de Jerusalém receavam: pode um diácono ser fundador de uma comunidade cristã? E uma comunidade cristã com os hereges samaritanos?  Pedro e João decidiram ir à Samaria. E viram – maravilhados – a obra de Deus. O Espírito Santo se derramava por toda parte. E, por isso, impunham as mãos e abençoavam.


Não nos preocupemos. A fé se propaga para além de nossos planos pastorais, para além de nossas previsões. Há pessoas que se deixam possuir pelo Espírito e que na humildade e na marginalização são capazes de realizar as grandes obras de Deus.

 

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